segunda-feira, 10 de maio de 2010

Chegada e partida, mas com recordação

Um olá aqui, outro ali.
Correria após correria para que tudo se possa fazer ainda que menos bem acabe por ficar.
Perfeição se procura e imperfeição se encontra por mais que se viaje através da vastidão do olhar. Tentativas após tentativas seguidas de mais algumas fazem com que o outrora brilhante olhar desvaneça levando consigo o iluminante brilho do dia começando a revelar a agora longa e escura noite, solitária por si só. Silêncio capaz de se cortar à faca se escuta atentamente de longe. Tudo parado, sem movimento quase que inanimado.

TIC-TAC, Tic-Tac, tic-tac…

Acabo por me deixar derrotar deitando-me a seus pé. Não tinha o que quer que fosse que me provocasse uma reacção em mim.
Fecho os olhos e tudo o que se passava em meu redor deixou de importar. Magnificência de tamanho absoluto silêncio. Conscientemente fui perdendo a noção do que se passava, há quanto tempo assim estava e quanto tivera passado. Gradualmente acabei por me desligar por completo de tudo acabando por inanimado ficar.

“olá”

Um leve sussurro que me despertou o sentido da audição que uma vez desperto acordou a visão lançando um vago olhar para o céu que completamente escuro o tinha visto era agora preenchido por vagos pontos luminosos. As estrelas houveram aparecido entretanto no meio de tamanha solidão. Contavam-se pelos dedos quantas eram mas não era por isso que perdiam o seu esplendor perante um olhar singular.
Pequeno e meio perdido mas não o único, algo mais se avistara brilhante e resplandecente nesta sóbria vastidão tão pouco ocupada. Não tão pequena quanto as demais mas também não maior que elas. Cativante por ela própria. De baixo surge até o alto alcançar levando atrás dela toda a atenção do meu olhar para tão rara exibição de incomparável pura beleza. Toda a atenção focada num único ponto. Tentação de o alcançar, certeza da sua impossibilidade…
Breves momentos mais tarde dou comigo a escutar as batidas do meu próprio coração. Batidas formando uma suave harmonia dando vontade de fechar completamente os olhos e ouvir de corpo e alma. Lentamente e sem consciência fecham-se e rapidamente se abrem procurando ansiosamente por algo que ainda há pouco parecia certo e que era agora uma dúvida, tamanha ela que subjugava toda a distância existente pelo meio. Um lento movimento, o levantar de um braço para a alcançar, veio demonstrar o já antes concluído, a impossibilidade do seu alcance. Um novo tic-tac veio agora ao de cima não como os restantes mas como que algo conhecido sem se saber de onde ao certo, algo já sentido. Sem olhar ao relógio o tempo passava despercebido como se nada com ele fosse. Segundos deram lugar a minutos e momentos a horas. Um rasgo de luz percorreu o céu de uma ponta à outra revelando pormenores e com eles segredos ocultos. Uma cor de sol se viu, mesmo que momentaneamente, deixando guardada na memória tal imagem.
A vontade do toque aumenta levando a novas tentativas, inúmeras delas sem sucesso, uma delas embora que ténue chegou para sentir o suave e aveludado toque e ainda que apenas com a ponta dos dedos conseguiu reavivar a consciência do que se passava acordando-me do meu estado de sonolência no qual tinha entrado sem razão alguma, pelo menos alguma explicável.
A alcançada vontade do toque tornara-se uma necessidade. Tal necessidade levou-me a mergulhar, não um mergulho na praia ou na piscina mas um mergulho na profundidade de um olhar outrora vago e agora focado. De tanto mergulhar acabei por me perder nele mesmo, não me sentia perdido localmente, o local não me era estranho mas perdido interiormente embora não totalmente por já conhecer a sensação de algumas vezes a sentir. Não muitas mas as necessárias para saber como é.

Tudo o que começa acaba por terminar também e é o que tenho a dizer acerca disto. Começou, desenrolou-se e acabou. Não sei durante quanto tempo nem se definitivamente mas algo fica. O quê tem a ver com cada uma das partes. A minha eu sei-a mas não a restante e embora tenha uma certa e enorme curiosidade em sabê-la adoro a incerteza do não saber. Ter a dúvida da percepção da reacção e não saber o que fazer a seguir.

Reagir perante a reacção, qualquer um o pode fazer mas apenas poucos o fazem da maneira correcta. Se o fazem por burrice, ignorância, estupidez ou simplesmente o fazem por fazer então que o continuem a fazer, pode ser que assim alguém mais abra os olhos.

Sim, nas entrelinhas escrevo e delas falo mas não, disto não falo. Há quem saiba o porquê e quem o imagine. Quanto a quem lê apenas que leia com atenção e viva atentamente os pormenores pois estes realmente fazem toda a diferença.

É engraçado como duas coisas tão diferentes podem ser tão iguais não é?

Tec_Fil

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